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Game Jams

Por que é importante participar?

Por Vitor Leal1161 visualizações
Game Jams

Se você se interessa por desenvolvimento de jogos, com certeza você já ouviu falar em Game Jams. Em poucas palavras, uma Game Jam é uma reunião (presencial ou online) de desenvolvedores de jogos que tem como objetivo criar um jogo em um curto intervalo de tempo. Game Jams são fundamentais para a indústria e cultura de desenvolvimento de jogos. Elas são oportunidades únicas para fazer networking, testar suas habilidades técnicas e emocionais, além de sair da inércia e colocar a mão na massa. Esse assunto te interessa?

O que são Game Jams e porque elas funcionam

Nesta seção você vai entender melhor como uma Game Jam funciona e como isso tudo começou…

O termo “Jam” tem origem no universo da música, onde o encontro de músicos para ensaios livres são usualmente conhecidos como “Jam Sessions”. Muitas das músicas mais conhecidas do mundo e Riffs que marcaram gerações nasceram em Jam Sessions. Seguindo o mesmo espírito, vários jogos incrivelmente bem-sucedidos foram originalmente concebidos em uma Game Jam.

Mas, afinal, o que são Game Jams?

Game Jams são encontros de desenvolvedores de jogos com o objetivo de criar um jogo do zero em pouco tempo. No geral, as Game Jams duram entre 12 horas e alguns poucos dias. Elas podem ser presenciais ou online. Os participantes da Game Jam se dividem em pequenas equipes de desenvolvimento (geralmente entre 4 e 6 membros cada) que vão competir entre em si para criar o melhor jogo. Todas as equipes devem criar um jogo do zero e com a mesma temática. O tema da Game Jam é proposto logo antes dela começar, para garantir que todas as equipes realmente comecem do zero. Cada equipe precisa criar protótipos rapidamente para conseguir validar diferentes ideias de jogo. O tempo é curto e gastar muito tempo numa ideia medíocre pode ser fatal. Esse é um processo riquíssimo de Game Design, onde vários conceitos precisam ser testados e descartados rapidamente afim de encontrar, em tempo hábil, uma ideia de jogo que valha a pena ser desenvolvida.

É mesmo possível criar um jogo em poucos dias?

Sim, com certeza. E ao contrário do que talvez você esteja pensando, isso não tem a ver necessariamente com alto nível de habilidade técnica. Na verdade, Game Jams são recomendadas até mesmo para pessoas com conhecimento técnico básico ou intermediário.

Mas, afinal, como isso é possível?

A resposta vem em 3 letras: MVP. MVP é uma sigla muito comum em empreendedorismo e que significa Minimum Viable Product, ou “Produto Viável Mínimo”, em tradução livre. Um MVP nada mais é que um produto que possui apenas as suas principais funcionalidades. Os grandes “produtos” da internet como Instagram, Tumblr, WordPress e até mesmo o Facebook nasceram como MVPs. Suas primeiras versões tinham apenas as suas funcionalidades centrais. O mínimo necessário para testar a ideia. Pense no Instagram, por exemplo. O seu MVP é apenas um site onde você pode subir fotos e seguir outras pessoas. Um site desse tipo pode ser feito em apenas 1 dia por um desenvolvedor habilidoso. O MVP serve para testar a demanda do mercado. Ou seja, ver se alguém vai se interessar pelo seu produto. Mas o que isso tudo tem a ver com Game Jams? Poucas vezes eu ouvi alguém fazendo esse paralelo, mas nas Game Jams as equipes criam MVPs. Cada jogo criado em uma Game Jam possui apenas as principais funcionalidades e recursos necessários para se testar o conceito do jogo. Jogos produzidos em Game Jams são, portanto, uma versão “super enxuta” de tudo que o jogo pode ser. Bem, agora que você já entende que os jogos criados em Game Jams são MVPs, ainda resta uma dúvida bem prática:

O que está por trás de um desenvolvimento tão rápido?

Existem dois princípios importantíssimos que tem um papel fundamental no sucesso das Game Jams: O Princípio de Paretto e a Lei de Parkinson.

Vamos entender melhor o que cada um desses termos significam: Princípio de Pareto (ou “Regra 80/20”):

Aproximadamente 80% dos resultados são originados de apenas 20% das ações.” Em outras palavras, apenas 20% das ações que tomamos são responsáveis por aproximadamente 80% dos nossos resultados.

Esse princípio é observado nas mais diversas áreas…

Em negócios, por exemplo, é muito comum observar que 80% do lucro vem de aproximadamente 20% dos clientes. Na Italia, 80% das terras pertencem a 20% da população (esse é o estudo conduzido pelo economista Vilfredo Pareto, que deu origem ao termo).

Se você pesquisar o termo, verá que ele é utilizado nas mais diversas áreas do conhecimento humano. É claro que essa regra não é algo matematicamente comprovado. É apenas uma boa “regra de direcionamento” que pode ser útil até mesmo para a sua vida pessoal.

Ok, mas o que isso tem a ver com Game Jams?

Existem várias formas de interpretar isso, mas eu vou sugerir algumas:

80% do desenvolvimento do jogo é concluído em 20% do tempo (você deve saber que polimento e balanceamento demora MUITO);

80% da diversão do jogo vem de apenas 20% de seus elementos;

Com esse princípio em mente, conseguimos entender um pouco melhor como jogos divertidos e interessantes conseguem ser feitos em tão pouco tempo. A resposta? Foco nos 20%. Lei de Parkinson: O trabalho se expande de modo a preencher o tempo disponível para a sua realização”

A Lei de Parkinson foi originalmente publicada em 1955 no The Economist e, desde então, vem sendo utilizada de forma generalizada nas mais diversas áreas. Nos dias de hoje, a Lei de Parkinson é comumente usada em gestão de tarefas e produtividade, onde afirma-se que “tarefas individuais com datas-limite raramente terminam antes, pois as pessoas que fazem o trabalho tendem a expandi-lo para terminá-lo próximo à data de entrega”.

Trazendo o conceito para o desenvolvimento de jogos, podemos interpretá-lo da seguinte forma: Se você tem no máximo 100 dias para terminar um jogo, você dificilmente o terminará antes. Em outras palavras, você será tão eficiente quanto necessário. E não mais que isso. Nas Game Jams, a Lei de Parkinson tem um papel muito importante. Como o tempo disponível é extremamente escasso, os participantes tendem a trabalhar em seus níveis mais elevados de eficiência. A combinação do Principio de Pareto com a Lei de Parkinson resulta em um desenvolvimento altamente focado em resultados e equipes incrivelmente produtivas. Essa é a “magia” por trás do sucesso das Game Jams.

Indie Game Jam – Onde Tudo Começou

Em março de 2002, os desenvolvedores de jogos Chris Hecker e Sean Barrett estavam interessados em descobrir a capacidade de renderizar sprites que um hardware moderno possui.

Para realizar esse teste, eles convidaram os desenvolvedores Doug Church, Casey Muratori e o agora famoso Jonathan Blow (The Witness, Braid) para desenvolver uma game engine especializada em renderizar um grande número de sprites. Com a nova game engine pronta, tinha chegado a hora de testá-la! Hecker e Barrett convidaram então um grupo de desenvolvedores de jogos para seu escritório na Califórnia com o objetivo de criar jogos inovadores utilizando a recém-criada game engine. Nascia então o que ficou conhecida como a primeira Game Jam, também conhecida como “0th Indie Game Jam”. (Para ver alguns dos jogos criados na 0th Indie Game Jam, veja esse artigo de 2002 do Gamasutra: Technology Inspires Creativity: Indie Game Jam Inverts Dogma 2001!)

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